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Empilhamento racial

Também conhecido como stacking. Refere-se à segregação dos atletas em posições específicas baseada em estereótipos raciais, alocando brancos em posições de liderança/intelectuais e negros em posições de força/velocidade.

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Definição

O empilhamento racial (ou racial stacking) é um conceito da sociologia do esporte que descreve a distribuição desproporcional de atletas de acordo com a raça em determinadas posições de jogo. A teoria, formulada inicialmente por Loy e McElvogue em 1970, postula que atletas brancos são sistematicamente direcionados para posições consideradas 'centrais', que exigem liderança, tomada de decisão estratégica e inteligência tática (ex: quarterback, levantador, meio-campista central). Em contrapartida, atletas negros são 'empilhados' em posições 'periféricas', associadas à força física, velocidade, explosão e instinto (ex: running back, pontas, atacantes de velocidade), que raramente servem de trampolim para cargos de gestão técnica pós-carreira.

Como funciona

Funciona através de estereótipos racistas enraizados na formação de base e no 'olheiro'. Jovens negros são elogiados por sua 'física natural' e 'atletismo', sendo empurrados para posições de execução. Jovens brancos são elogiados por sua 'inteligência', 'visão de jogo' e 'liderança', sendo treinados para posições de comando. Isso cria um funil onde a 'inteligência' é racializada como branca e a 'força' como negra.

Exemplos

  • O 'Efeito Barbosa': Após a falha do goleiro Barbosa na Copa de 1950, criou-se no Brasil o estigma de que 'goleiros negros não passam confiança' ou 'tremem na hora decisiva', reduzindo drasticamente a presença de negros nesta posição por décadas.

  • A escassez de técnicos negros na Série A do Campeonato Brasileiro: Embora a maioria dos jogadores seja negra, a área técnica é dominada por brancos, reflexo de quem é visto como capaz de 'pensar o jogo'.

  • NFL (Futebol Americano): A histórica segregação onde Quarterbacks (cérebro do time) eram quase exclusivamente brancos, enquanto Running Backs e Wide Receivers eram majoritariamente negros.

Quem é afetado

Primariamente atletas negros, que têm suas carreiras limitadas a funções de menor longevidade física e são excluídos de posições que preparam para a carreira de treinador ou dirigente. No Brasil, goleiros negros sofrem um estigma específico histórico.

Por que é invisível

É mascarado por uma suposta 'aptidão natural' ou 'biofísica'. Narradores e comentaristas reforçam isso ao descrever jogadores negros como 'bestas', 'monstros físicos' e jogadores brancos como 'cerebrais' ou 'táticos', naturalizando a segregação como uma questão de talento inato, não de direcionamento sistêmico.

Efeitos

O principal efeito é a barreira para ascensão a cargos de poder no esporte. Como a maioria dos técnicos e dirigentes vem de ex-jogadores de posições 'centrais' (meias e capitães), o empilhamento racial garante que a branquitude continue controlando a gestão do esporte, mesmo que a base de atletas seja majoritariamente negra. Gera também menor longevidade de carreira para atletas negros (posições de explosão desgastam mais) e menor remuneração média a longo prazo.

Autores brasileiros

  • Marcel Diego Tonini
  • Neilton de Sousa Ferreira

Autores estrangeiros

  • John Loy
  • Joseph McElvogue
  • Harry Edwards

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