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Etarismo

Semelhante a ageísmo. Discriminação e preconceito baseados na idade, manifestando-se comumente como a marginalização de idosos ou a desqualificação de jovens no mercado de trabalho.

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Definição

O etarismo (também conhecido como ageísmo ou idadismo) é o conjunto de estereótipos, preconceitos e discriminações dirigidos a pessoas com base em sua idade. Embora possa afetar jovens (vistos como inexperientes), manifesta-se predominantemente como uma aversão e desvalorização da velhice. Cunhado pelo gerontologista Robert Neil Butler em 1969, o termo descreve uma prática estrutural que marginaliza idosos, tratando o envelhecimento não como uma fase natural da vida, mas como uma doença ou falha a ser 'combatida' ou escondida, especialmente em uma sociedade capitalista que idolatra a juventude, a produtividade e a velocidade.

Como funciona

Funciona através da criação de estigmas que associam o envelhecimento à inutilidade, confusão mental, teimosia e dependência, desconsiderando a heterogeneidade da velhice. No mercado de trabalho, opera descartando profissionais experientes sob a justificativa de estarem 'ultrapassados' ou 'caros demais'. Socialmente, opera pela segregação espacial (asilos, espaços exclusivos) e pela linguagem infantilizadora, onde adultos idosos são tratados como crianças incapazes de tomar decisões sobre suas próprias vidas.

Exemplos

  • Vagas de emprego que exigem 'energia', 'candidato jovem' ou usam termos como 'digital native' para excluir indiretamente profissionais mais velhos.

  • Infantilização no tratamento (falar no diminutivo: 'vovozinha', 'queridinha') por profissionais de saúde ou estranhos, desrespeitando a autonomia do idoso.

  • A presunção automática de que qualquer pessoa mais velha é tecnologicamente analfabeta e incapaz de aprender novos softwares.

Quem é afetado

Atinge violentamente a população 50+, que começa a sofrer exclusão profissional e invisibilidade midiática. No entanto, há um recorte de gênero brutal: para as mulheres, o etarismo chega mais cedo e é mais cruel, focado na perda da 'beleza' e juventude (pressão estética), enquanto para os homens o foco está mais na perda da virilidade e poder econômico (produtividade). Pessoas jovens também sofrem via Adultocentrismo, tendo suas vozes deslegitimadas.

Por que é invisível

É invisível porque o medo de envelhecer é universal e culturalmente incentivado. A indústria cosmética e farmacêutica lucra bilhões vendendo a ideia 'anti-aging'. Com isso, internalizamos o etarismo: a própria pessoa idosa se sente um fardo ou 'menos capaz' por ter envelhecido (auto-etarismo). Piadas sobre esquecimento, lentidão ou tecnologia são socialmente aceitas e reforçam o preconceito de forma 'leve'.

Efeitos

Gera isolamento social, solidão, depressão e declínio cognitivo acelerado (a profecia autorrealizável: de tanto ser tratado como incapaz, o idoso se torna). Economicamente, cria uma massa de mão-de-obra qualificada descartada, empurrando idosos para a dependência financeira ou informalidade. A longo prazo, impoverece a sociedade ao desperdiçar o 'capital de sabedoria' e a experiência acumulada.

Autores brasileiros

  • Fran Winandy
  • Míriam Goldenberg

Autores estrangeiros

  • Robert Neil Butler

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