Isso tem nome
Voltar para o catálogo

Greenwashing

Estratégia de marketing enganosa conhecida como 'maquiagem verde', usada por empresas para promover uma falsa imagem de responsabilidade ecológica, enquanto mantêm práticas ambientalmente nocivas.

Definição

Greenwashing (lavagem verde ou maquiagem verde) é a prática de comunicar ao mercado e aos consumidores que uma empresa adota práticas sustentáveis quando, na verdade, isso não passa de uma fachada publicitária. O termo foi criado pelo ambientalista Jay Westerveld em 1986, mas a prática se sofisticou com o surgimento da pauta ESG (Environmental, Social and Governance). No Brasil, autores como José Eli da Veiga criticam a superficialidade desse "capitalismo verde", onde a sustentabilidade vira apenas um nicho de mercado e não uma mudança de paradigma.

O greenwashing apropria-se da preocupação legítima da sociedade com a crise climática para lucrar. As empresas investem milhões em campanhas publicitárias com florestas, animais e cores verdes, enquanto seus processos produtivos continuam poluentes, desmatadores e intensivos em carbono. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) no Brasil tem editado resoluções recentes (como a 175/2022 e 193/2023) para tentar coibir essa prática no mercado financeiro, exigindo dados concretos de impacto socioambiental.

Como funciona

O greenwashing opera através de um conjunto de táticas de desinformação e manipulação semiótica. Uma das mais comuns é a vagueza, caracterizada pelo uso de termos amplos e não regulamentados como "eco-friendly" ou "amigo da natureza" sem certificações que os sustentem. Outra estratégia frequente é a irrelevância, onde a empresa destaca como diferencial ecológico algo que já é obrigatório por lei, como a ausência de substâncias proibidas há décadas.

Também ocorre a chamada troca oculta, que consiste em divulgar um pequeno aspecto sustentável da operação para desviar a atenção de um impacto ambiental massivo e sistêmico. Toda essa narrativa é envolta em imagens sugestivas, com o uso abusivo de cores verdes, ícones de folhas e fotos de natureza intocada em embalagens de produtos que, em sua essência, continuam sendo poluentes ou tóxicos.

Exemplos

  • Empresas de combustíveis fósseis que gastam milhões anunciando suas pesquisas em biocombustíveis de algas (que representam 1% do negócio) enquanto continuam investindo bilhões na exploração de petróleo.

  • Marcas de fast fashion que lançam uma coleção "consciente" feita de garrafas PET recicladas, mas mantêm um modelo de negócio baseado no descarte rápido e na exploração de mão de obra em países pobres.

  • Hotéis que pedem aos hóspedes para reutilizarem toalhas "para salvar o planeta", mas cujo verdadeiro objetivo é apenas reduzir custos com lavanderia, sem ter outras práticas sustentáveis (o exemplo que originou o termo).

  • Produtos de limpeza que se dizem "verdes" apenas por terem embalagem reciclada, mas cujos componentes químicos continuam poluindo a água.

Quem é afetado

O consumidor é o principal afetado, pois paga mais caro por um produto acreditando estar ajudando o planeta, quando está sendo enganado. No entanto, o greenwashing prejudica também as empresas verdadeiramente sustentáveis, que enfrentam uma concorrência desleal. Em última instância, o meio ambiente é o maior prejudicado, pois a falsa sensação de que "as empresas estão resolvendo o problema". retarda a adoção de medidas regulatórias sérias e necessárias para combater o aquecimento global. Populações ribeirinhas e indígenas, frequentemente vizinhas de grandes projetos "maquiados" de verdes, sofrem os impactos reais da poluição que o marketing esconde.

Por que é invisível

É invisível porque a cadeia produtiva é complexa e opaca. O consumidor médio não tem como verificar se a madeira de um móvel é realmente certificada ou se a "neutralização de carbono" prometida por uma empresa aérea é eficaz. A linguagem técnica dos relatórios de sustentabilidade e a falta de fiscalização rigorosa permitem que narrativas falsas prosperem. Ricardo Abramovay aponta que essa invisibilidade é sustentada por uma crença cega de que o mercado se autorregula e de que a tecnologia resolverá os limites planetários, o que desencoraja o escrutínio crítico.

Efeitos

Os efeitos incluem o cinismo do consumidor (que deixa de acreditar em qualquer iniciativa ecológica), a desmobilização política e a continuidade da degradação ambiental. O greenwashing cria uma cortina de fumaça que permite que indústrias poluidoras ganhem tempo e continuem lucrando com o modelo fóssil. Financeiramente, pode gerar bolhas de investimento em ativos ESG que não entregam retorno real para a sociedade, desviando capital que deveria ir para a transição energética genuína.

Autores brasileiros

  • José Eli da Veiga
  • Ricardo Abramovay

Autores estrangeiros

  • Jay Westerveld

Temas relacionados