Masculinidade tóxica
Conjunto de normas sociais que associam masculinidade a comportamentos nocivos como agressividade, supressão emocional e dominância, adoecendo homens e prejudicando a todos.
Definição
Masculinidade tóxica não é uma crítica à masculinidade em si, mas a um conjunto específico de expectativas e normas sociais que definem 'ser homem' através de comportamentos autodestrutivos e violentos. Inclui a proibição de expressar emoções ('homem não chora'), a valorização da agressividade como forma de resolver conflitos, a associação de pedir ajuda (médica, psicológica) com fraqueza, e a pressão por domínio e controle nas relações. O termo foi cunhado nos anos 80 pelo movimento mitopoético masculino e ressignificado pelos estudos de gênero.
Como funciona
Opera pela socialização desde a infância: meninos são ensinados a não chorar, a 'reagir' à violência com mais violência e a ver vulnerabilidade como defeito. Na vida adulta, isso se traduz em recusa em buscar ajuda médica ou psicológica, comportamento de risco, dificuldade em manter relações saudáveis e, em casos extremos, violência doméstica ou suicídio.
Exemplos
A frase 'homem não chora' dita a meninos desde a infância, que os ensina a reprimir emoções.
Homens que evitam ir ao médico por medo de parecer 'fracos', resultando em diagnósticos tardios.
A pressão para 'resolver na mão' conflitos que poderiam ser mediados pelo diálogo, gerando violência evitável.
Quem é afetado
Homens em primeiro lugar, que sofrem as consequências diretas (maiores taxas de suicídio, uso de substâncias, mortes por causas externas). Mulheres e crianças também são afetadas como vítimas da violência perpetrada por homens que não sabem lidar com emoções de forma saudável.
Por que é invisível
Porque é confundida com 'a natureza masculina'. A frase 'meninos serão meninos' naturaliza comportamentos aprendidos e nocivos. Além disso, o termo sofre resistência de quem o interpreta como um ataque aos homens, em vez de uma crítica ao sistema que os adoece.
Efeitos
Para homens: maiores taxas de suicídio (no Brasil, 4x maior que mulheres), abuso de álcool e drogas, doenças não tratadas por recusa em ir ao médico. Para a sociedade: perpetuação da violência doméstica, feminicídio, violência urbana e bullying escolar.
Autores brasileiros
- Tulio Custódio
- Berenice Bento
Autores estrangeiros
- Raewyn Connell
- Terry Kupers
