Teto de vidro
Barreira invisível que impede mulheres e minorias de ascenderem a cargos de alta liderança, apesar de terem qualificação equivalente.
Definição
O Teto de vidro (é a tradução de 'glass ceiling', termo cunhado por Marilyn Loden em 1978) refere-se a barreiras invisíveis, porém sólidas, que mantêm mulheres e minorias longe de ocupar posições hierárquicas elevadas na mesma proporção que homens brancos. A metáfora sugere que é possível 'ver' os cargos de topo, mas há um obstáculo transparente e intransponível bloqueando o acesso. A Comissão Federal de Teto de Vidro dos EUA definiu como 'barreira invisível que impede minorias de avançar, independente de qualificação'.
Como funciona
Opera através de viés inconsciente nas promoções ('ele tem mais perfil de líder'), redes de networking masculinas fechadas (boys club), penalização da maternidade (mulheres com filhos são vistas como menos comprometidas, enquanto homens com filhos são vistos como mais estáveis), e a sobrecarga da carga mental doméstica que esgota energia produtiva feminina.
Exemplos
Uma empresa com 50% de funcionárias mulheres, mas apenas 5% de diretoras e nenhuma mulher no conselho.
A promoção oferecida preferencialmente a um colega homem menos qualificado, sob justificativa de 'potencial de liderança'.
A exigência implícita de que mulheres 'provem' competência repetidamente, enquanto homens são promovidos por 'potencial' (padrão duplo).
Quem é afetado
Mulheres de todas as raças, com impacto mais severo em mulheres negras e latinas que enfrentam o teto de concreto (concrete ceiling). Também afeta homens LGBTQIA+ e pessoas com deficiência em ambientes corporativos homogêneos.
Por que é invisível
Porque não é uma regra escrita. Empresas não declaram 'não promovemos mulheres'; o impedimento ocorre em micro-decisões subjetivas ('ele é mais estratégico', 'ela é muito emocional') que, acumuladas, geram a discrepância observada nas estatísticas.
Efeitos
Desigualdade estrutural de renda e poder, sub-representação feminina em conselhos de administração e C-Level, frustração profissional, síndrome do impostor exacerbada e perda de talentos que abandonam empresas sem perspectiva de crescimento.
Autores brasileiros
- Flávia Biroli
- Clara Araújo
Autores estrangeiros
- Marilyn Loden
- Cary Cooper
