Assédio moral no trabalho
O assédio moral no trabalho é a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. É uma conduta abusiva que atenta contra a dignidade psíquica, degradando as condições de trabalho e pondo em perigo o emprego da vítima.
Definição
O assédio moral no trabalho manifesta-se por meio de gestos, palavras, comportamentos ou atitudes que, pela sua repetição ou sistematização, atentam contra a dignidade ou a integridade psíquica ou física de um trabalhador. Segundo a pioneira brasileira Margarida Barreto, o assédio não é um conflito isolado, mas um processo de "esvaziamento" do sujeito, onde a vítima é gradualmente isolada e desqualificada diante de seus pares.
O fenômeno pode ser vertical descendente (da chefia para o subordinado), vertical ascendente (dos subordinados para a chefia) ou horizontal (entre colegas de mesmo nível hierárquico). Diferente do estresse profissional comum, o assédio moral possui uma clara intenção, consciente ou não, de excluir ou submeter o outro através do sofrimento.
Como funciona
O assédio opera através de um ciclo de hostilidade que costuma seguir etapas identificáveis. Inicia-se frequentemente com um conflito trivial não resolvido que serve de pretexto para o início das agressões sistemáticas. Segue-se uma fase de estigmatização, onde a vítima torna-se alvo de críticas constantes, piadas ou isolamento, acompanhados por boatos que visam desqualificar sua competência técnica ou sanidade mental.
Posteriormente, ocorre a intervenção da administração que, em muitas ocasiões, falha na mediação e acaba adotando a versão do agressor, tratando o trabalhador assediado como um problema a ser removido da estrutura. O ciclo culmina na exclusão definitiva, onde o indivíduo é induzido ao pedido de demissão, demissão forçada ou ao afastamento definitivo por graves doenças ocupacionais.
Exemplos
Atribuir tarefas humilhantes ou muito abaixo da qualificação do profissional para gerar sentimentos de inutilidade.
Dar ordens contraditórias ou impossíveis de serem cumpridas dentro do prazo, visando preparar uma justificativa para demissão por "incompetência".
Retirar os instrumentos de trabalho (telefone, computador, mesa) deixando o funcionário em total ociosidade forçada na frente dos colegas.
Criticar a vida particular ou características físicas do trabalhador publicamente para desestabilizá-lo emocionalmente.
Quem é afetado
Qualquer trabalhador pode ser alvo, mas estatísticas mostram que mulheres, pessoas negras, pessoas LGBTQIA+ e indivíduos com deficiência são atingidos de forma desproporcional. O assédio também é usado estrategicamente contra trabalhadores que detêm estabilidade (como servidores públicos) ou que possuem alta consciência de seus direitos laborais e agem como lideranças informais.
Por que é invisível
O assédio é invisível porque muitas de suas práticas são confundidas com "exigência de produtividade" ou "estilo de gestão agressivo". A cultura organizacional competitiva incentiva os colegas a se calarem por medo de serem os próximos alvos (o pacto do silêncio). Além disso, a violência costuma ser sutil e sem deixar marcas físicas, dificultando a produção de provas jurídicas e levando a vítima a duvidar da própria percepção da realidade.
Efeitos
Os impactos do assédio moral estendem-se por diversos níveis. Individualmente, a vítima pode desenvolver transtornos de ansiedade generalizada, depressão, síndrome do pânico e ideação suicida. No âmbito organizacional, observa-se o aumento do absenteísmo, alta rotatividade de pessoal e queda drástica na qualidade do serviço. Socialmente, o fenômeno gera um elevado custo para o sistema de saúde e para a previdência, devido ao grande número de aposentadorias precoces por invalidez e afastamentos prolongados.
Autores brasileiros
- Margarida Barreto
- Roberto Heloani
- Lis Sobral Andrade
Autores estrangeiros
- Marie-France Hirigoyen
- Heinz Leymann
