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Assédio moral acadêmico

O assédio moral acadêmico é uma forma de violência psicológica interpessoal e institucional no ambiente universitário, caracterizada pela exposição de pesquisadores, estudantes ou docentes a situações humilhantes e prolongadas. Diferente do assédio corporativo comum, ele ataca o capital mais valioso do indivíduo: sua reputação intelectual e sua legitimidade científica.

Definição

O assédio moral acadêmico (também conhecido como mobbing acadêmico em casos coletivos) é uma prática sistemática de violência simbólica que ocorre nas relações de poder dentro de universidades e centros de pesquisa. Segundo o pesquisador brasileiro Roberto Heloani, o ambiente acadêmico, pela sua própria natureza competitiva e hierarquizada, torna-se um terreno fértil para essa violência.

Diferente do assédio moral em empresas convencionais, onde o objetivo costuma ser o aumento da produtividade ou a redução de custos, o assédio acadêmico visa frequentemente a destruição da identidade intelectual da vítima. Kenneth Westhues descreve o fenômeno como um cerco coletivo para expulsar um pesquisador que ameaça o status quo ou o consenso do departamento. É uma violência que ataca a honra, a capacidade técnica e a sanidade mental de quem a sofre.

Como funciona

O fenômeno opera através de táticas graduais e muitas vezes imperceptíveis para observadores externos. Uma das estratégias mais comuns é o isolamento social e intelectual, onde a vítima deixa de ser convidada para reuniões, bancas ou projetos de pesquisa, tendo suas opiniões sistematicamente ignoradas ou ridicularizadas publicamente.

Além disso, ocorre a sabotagem de carreira, manifestada pelo corte de financiamento, retirada de orientandos ou atribuição deliberada de cargas horárias burocráticas excessivas para impedir o avanço da pesquisa. Em casos graves, observa-se a apropriação intelectual, onde superiores exigem autoria principal em trabalhos para os quais não contribuíram. Todo esse processo é acompanhado pela desqualificação técnica, através de rumores sobre a integridade dos dados da vítima ou questionamentos agressivos sobre a validade do seu método científico.

Exemplos

  • Um orientador que retém a correção de uma tese por meses, próximo ao prazo final, como forma de punição por uma divergência teórica.

  • Alunos obrigados a realizar tarefas domésticas ou burocráticas pessoais para seus professores sob medo de perder a bolsa.

  • O uso de bancas de defesa não para avaliar o trabalho, mas para desqualificar o estudante publicamente como forma de exercício de poder.

Quem é afetado

  • Pós-graduandos: os mais vulneráveis devido à dependência financeira (bolsas) e à necessidade de recomendação.
  • Docentes e pesquisadores: frequentemente os alvos de mobbing são os mais produtivos ou aqueles que denunciam irregularidades (whistleblowers).
  • Corpo técnico-administrativo: sofre com a hierarquia verticalizada que frequentemente os coloca em posição de sujeição a caprichos de docentes.

Por que é invisível

É blindado pelo mito da meritocracia. Existe uma crença de que a genialidade de um grande professor justifica comportamentos abusivos ("ele é difícil, mas é um gênio"). Além disso, a cultura do sacrifício pela ciência normaliza humilhações como um rito de passagem. A falta de canais de denúncia independentes e o medo de represálias (fim da carreira ou estigma de conflituoso) garantem o silêncio.

Efeitos

  • Pessoais: desenvolvimento de Síndrome de Burnout, depressão grave e estresse pós-traumático.
  • Institucionais: o fenômeno leaking pipeline (tubulação com vazamento), onde pesquisadores brilhantes abandonam a ciência devido à toxicidade do ambiente.
  • Científicos: perda de diversidade de pensamento, uma vez que o assédio silencia vozes dissonantes.

Autores brasileiros

  • Roberto Heloani
  • Margarida Barreto
  • Élida Heloani
  • Marcia Barbosa

Autores estrangeiros

  • Kenneth Westhues
  • Heinz Leymann
  • Marie-France Hirigoyen

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