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Slut shaming

Prática de humilhar mulheres por seus comportamentos sexuais reais ou presumidos, visando controlar sua liberdade corporal através da vergonha.

feminismopatriarcadosexualidade

Definição

O slut shaming (ou "humilhação de vagabunda", tradução livre) é um mecanismo social de controle que estigmatiza mulheres desafiando normas tradicionais de comportamento sexual, vestuário ou expressão de desejo. Mais do que uma simples ofensa pessoal, é um pilar da estrutura patriarcal que utiliza a vergonha para ditar como as mulheres devem se portar no espaço público e privado.

Como funciona

Opera por meio de um "Duplo Padrão de Moralidade": enquanto a sexualidade masculina é incentivada e vista como sinal de virilidade, a sexualidade feminina é monitorada e punida. O slut shaming atua como uma vigilância constante, onde qualquer mulher pode ser alvo, independentemente de sua conduta real, servindo como um aviso para as demais sobre as "consequências de ser livre demais".

Exemplos

  • Julgamento de vítimas: Questionar a roupa de uma mulher após sofrer um assédio ou estupro, sugerindo que ela "provocou" a agressão.

  • Vazamento de intimidade: Compartilhar fotos ou vídeos íntimos sem consentimento com o objetivo de destruir a reputação social e profissional da mulher.

  • Estigmatização verbal: Utilizar termos pejorativos para descrever mulheres que possuem múltiplos parceiros ou que expressam abertamente seu desejo sexual.

  • Rituais de exclusão: Adolescentes que são isoladas ou humilhadas na escola por boatos (falsos ou não) sobre sua vida sexual.

Quem é afetado

Mulheres (cis e trans) e pessoas com expressões de gênero femininas de todas as idades. É especialmente cruel na adolescência, onde a reputação social é vital para o pertencimento a grupos, e para mulheres em posições de poder, cujas competências profissionais são frequentemente atacadas através de calúnias sobre sua vida íntima.

Por que é invisível

Muitas vezes o slut shaming é camuflado como "preocupação moral", "bons costumes" ou até "humor". Ele é perpetuado não apenas por homens, mas também por outras mulheres (misoginia internalizada), que utilizam o julgamento alheio como uma forma de validar sua própria "decência" e evitar serem elas mesmas os próximos alvos.

Efeitos

Promove o isolamento social, a depressão e a ansiedade. Em níveis sistêmicos, alimenta a cultura do estupro ao deslocar a culpa do agressor para a vítima. Contribui para a auto-censura feminina, impedindo que mulheres busquem educação sexual, usem métodos contraceptivos livremente ou denunciem abusos por medo do julgamento moral.

Autores brasileiros

  • Lola Aronovich

Autores estrangeiros

  • Leora Tanenbaum
  • Jessica Valenti

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